Pessoas que não são bibliotecárias, frequentemente veem o catálogo como uma etapa burocrática de registro do documento, algo que serve para dizer que "o documento existe e está na biblioteca". Essa visão parte da ideia que a biblioteca é um lugar de guarda e armazenamento, um lugar morto, um depósito de objetos. Dentro dessa visão, qualquer um pode construir um catálogo, pois ele é apenas uma transcrição mecânica de descritores do livro. Geralmente, autor, título, subtítulo e, se a pessoa tiver a consciência que existe algo chamado "classificação", talvez transcreva o número da CDD ou CDU e o Cutter que estão na ficha catalográfica.
Às vezes, alguns bibliotecários, principalmente em bibliotecas públicas, acabam reproduzindo essa visão, por não conseguirem espaço nem autonomia para exercer um olhar e uma prática especificamente biblioteconômicas e construir um catálogo decente. Dessa forma, quando e se há um catálogo, ele serve apenas para constar se determinado título ou autor estão na biblioteca e, talvez, em que estante ele está.
Porém, um catálogo construído com cuidado e dedicação, e a aplicação correta das diversas técnicas que a ciência da Biblioteconomia vem construindo em sua história milenar, vai muito além de uma transcrição de palavras e um registro de guarda. Ele se torna uma base de dados de pesquisa, uma teia conceitual e temática onde a pessoa, em busca da informação que precisa para satisfazer alguma necessidade, pode navegar e encontrar o mapa que o guia na resolução de seus problemas.
De nada serve um catálogo se ele não tem como foco o atendimento ao usuário e não serve como ponte entre o usuário e a informação. Por isso, é importante zelar pela qualidade técnica de um catálogo. E, por isso, ele tem que ser gerido pelo profissional treinado para manejá-lo.
Aos bibliotecários, sempre que possível, não cedam às pressões de "quantos livros você consegue catalogar por dia", ou aceitem que pessoas sem treinamento façam a catalogação do acervo. Isso irá destruir completamente o propósito de existência do catálogo. Sei que nem sempre é possível não ceder, pois tem pessoas com mais poder que nós fazendo essas cobranças. Mas, dentro das possibilidades, não deixem pessoas rebaixarem a nossa ciência, técnica e arte de organizar e disseminar informação.
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